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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O DEBATE DO PED-BELÉM PEGA FOGO.






No primeiro debate das chapas do PED de Belém, do dia 27/10/09, que ocorreu na sede do Monte Líbano. A militância do partido se fez presente para escutar e discutir as propostas dos novos rumos da instituição, no que concerne, a composição do Diretório. Os quartos representantes das chapas concorrentes foram: Ruy Rei (O Partido Que Muda o Brasil e Belém), Marquinho (Mensagem ao Partido), Stefani Henrique (Esquerda Democrática e Socialista), Rosemiro Souza (O Partido Que Muda o Brasil, o Pará e Belém).


O vereador Marquinho, (DS) falou sobre as dificuldades que o partido enfrenta a respeito da falta de diálogo com a sua militância, defendeu a sua candidata a presidente Suely Oliveira e ressaltou que na sua gestão ela trouxe muitos “avanços para o partido”. Ele culpou a militância pela atual conjuntura que o partido viver, pela sua ausência, pela sua falta de organização em apontar os rumos da transformação social que sonhamos. (sempre imaginei que o sonho do partido era revolução social, mas, hoje é a transformação de que? antes sabiamos onde queriamos chegar, agora perdermos o rumo, engraçado né? )

Ruy Rei, da Unidade na Luta, fez à defesa da atual gestão do PT e do candidato a reeleição Adalberto Aguiar. Apresentou como argumento a “vacância” dos membros no diretório, ele também comentou a imensa dificuldade que o partido tem para reunir sua diretoria, para pautar os rumos da instituição. Acusou o valoroso companheiro Rosemiro (Sec. Formação) pela sua ausência a um mês da sede do partido.

O camarada Stefani em sua fala ressalvou os acordos políticos eleitorais que a entidade partidária tem feito nesta atual conjuntura política eleitoral com: Jader, Dudu e Gerson Peres. Henrique foi incisivo na lembrança de perseguição, destes caciques-partidários aos movimentos sociais, principalmente por parte do Dudu contra: os camelôs e servidores municipais da Saúde. Aproveitou o ensejo, para anunciar a pré-candidatura do companheiro Bira Rodrigues ao Senado, esta decisão foi tomada pelo fato do Bloco de Esquerda não se sentirem representados nos cargos Majoritários, deixando claro também que seu grupo defende a candidatura de Paulo Rocha.

O companheiro Rosemiro discorreu sobre as varias falhas que a instituição partidária vem vivendo, dentre elas ressaltou a falta de transparência financeira, as varias dívidas com o PT estadual, a falta de formação da militância, a falta de pagamento da contribuição partidária pela militância. Ele disse, também, que o PT não faz prestação de contas com a base partidária e falou do pequeno recurso que sobra para o municipal em razão dos repasses para a Nacional (50%) e Estadual (25%), não possibilitando um repasse aos distritos, para assim, proporcionar a independência financeira dos distritos. Por que hoje, não recebem nenhum centavo para buscarem os avanços, reais, para o partido.

 Contudo, podemos observar que a disputa entre as chapas esta de certa formar bastante calma muita acusações, mas pouco resultado, no que diz respeito à da norte ao partido a buscar formas de resgatar a vocação eleitoral que o PT tem ao poder em razão da transformação social. Que, no entanto, Ana Julia e sua equipe têm jogado fora, alias estaria sendo muito severo e injusto com alguns companheiros de partido, mas me refiro ao PMN do B.

domingo, 25 de outubro de 2009

Camelôs na Câmara Municipal de Belém.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Desde a notificação feita pela prefeitura de Belém em 14/10/09, que determinava a retirada imediata dos equipamentos (barracas) da TV. Padre Eutíquio no perímetro entre a Rua Conselheiro Furtado e a Trav. Manoel Barata, os Trabalhadores Informais - camelôs têm vivido um drama terrorista.

Mediante este fato, os representantes das entidades dos trabalhadores do mercado informal – Sindicato e Associação – procuraram, no mesmo dia, a secretária de Urbanismo (Seurb) para melhores informações. Ao chegarem, não foram recebidos por ninguém. Porém, um assessor que se encontrava no local, marcou uma possível hora para o outro dia seguinte. Os representantes acompanhados de boa parte dos trabalhadores chegaram bem cedo na esperança de falarem com o secretário – Sérgio Pimentel – o que não seria possível, segundo a informação da sua chefa de gabinete.

Entretanto, o diretor Marcos Alvarez (Marcão) recebeu os representantes das entidades, informando que a notificação era uma “ação preventiva” para respaldo da Prefeitura, uma vez que estavam esperando chegar uma determinação judicial, resultado de um processo provocado pelo Complexo Shopping Iguatemi, identificado pelo Nº 2008. 1.108046-1 na 3º Vara da Fazenda da Capital. Vale ressaltar que este diretor fez questão de dizer: “... estamos fazendo isso para depois os camelôs não falarem que a prefeitura não avisou... e não pense vocês que eu terei medo de entrar na área e limpar todas as barracas... Vou virar o ‘HULK’...”


Munidos dessa informação, os representantes e os trabalhadores se encaminharam para a câmara Municipal de Belém, onde foram recebidos pelos vereadores os quais ouviram os representantes (Ray, Raulino e Rubens) que se prontificaram a interceder a favor. O vereador e ex-comandante da Guarda Municipal, Pio Netto, anunciou uma noticia nova: “... Liguei para o secretário Sérgio Pimentel e ele garante oito dias para os trabalhadores buscarem uma solução na esfera judicial...”. O fato é que não existe nenhuma movimentação no processo desde 31/07/09, quando a Juíza Titular – RISOLEIDI MARIA COSTA CUNHA - enviou um documento perguntando se o provocador do processo, Complexo Shopping Iguatemy, ainda tinha interesse em continuar o processo administrativo. Este, até o presente momento nada tinha respondido.

Os representantes e a categoria, municiados desta informação, retornaram a casa do Legislativo Municipal no dia 20/10/09, desta vez, as entidades foram recebidas pelo seu presidente, Walter Arbarge, junto aos demais vereadores da primeira reunião, os quais formam o campo de oposição a atual gestão de Duciomar dentro da Câmara. Ele escutou dos ambulantes a razão pela qual estavam ali, e se predispôs a interceder junto ao seu “... amigo, Prefeito de Belém, Duciomar Costa...” a favor da causa, apesar de não depender dele (Walter Arbarge) a última palavra, falou que iria se empenhar para conseguir o sucesso do impasse e afirmou que até as 12:00 horas da quinta-feira (22/10/09), faria contato com as lideranças da categoria para que fossem comunicadas da posição do Prefeito.

No dia 21/10/09 as 08h30mim, os trabalhadores foram chamados na Casa do Povo, no gabinete do presidente Walter Arbarge, onde receberam a informação que o prefeito Duciomar Costa tinha compreendido e aceitado os argumentos dos trabalhadores apresentados pelo vereador “intercessor”. Os argumentos foram são:

1. A ausência de uma liminar ou ordem judicial que determine a retirada dos ambulantes das vias públicas deixa sobre a responsabilidade única da prefeitura a decisão, uma vez que o executivo por meio da SECON é administradora desta questão;

2. A proposição de “PAZ” entre os Camelôs e a Prefeitura, ou seja, não haverá manifestações que cause transtorno para a população, assim como, concordamos em sair das calçadas em razão do desenvolvimento urbano e, principalmente, para beneficiar a população desta capital - transeuntes;

3. A importância do trabalho como meio de sobrevivência e alternativa de geração de renda e sustentabilidade familiar no que concerne a condições básicas de subsistência e DIGNIDADE DO CIDADÃO;

4. A construção de uma ilha de empreendedorismo em frente a Pátio Belém, com a desapropriação de dois casarões, dando condições de trabalho, venda e comércio;

5. A participação dos trabalhadores na elaboração do projeto de infra-estrutura e atrativos para as ilhas de empreendedorismo.

Contudo, o Prefeito de Belém até que tem a boa vontade de não retirar os trabalhadores das vias publicas, antes de construir espaços para alocá-los, no entanto, ele é cobrado pelos seus apoiadores e colaboradores de campanha... Neste sentido, os “CAMELÔS” esperam ansiosos o desfecho da guerra de Titãs entre empresários lojistas e pretensões políticas de DUDU. Sabemos que a qualquer momento pode ter uma sentença judicial determinado a retirada dos trabalhadores informais, ficando clara a força das elites paraenses nas esferas Executiva e Judiciária, para conseguir implementar suas vontades no contra quem se opõem “doa a quem doer”. Vamos esperar para ver aonde vai chegar os caprichos desta elite abrupta.



Ass. RUBENS CAMELÔ

domingo, 18 de outubro de 2009

ANÁLISE COMPARATIVA DA POESIA LÍRICA CAMONIANA.

ALUNO: RUBENS CAMELÔ

A poesia lírica de Camões tem com principais temas o discurso sobre o amor e o destino do ser humano. Influenciado pelo Humanismo, o escritor lusitano utilizava a forma fixa do soneto petrarquista, tanto na métrica (decassílaba), quanto na disposição de suas estrofes (dois quartetos e dois tercetos), além de outros traços da escola clássica.

As poesias camonianas, como todos os poetas que buscam por meio da expressão filosófica a explicação e expressão do amor cristão, possuem uma estreita relação com as idéias de Platão acerca do que seja esse amor. Para o filósofo, existe um mundo sensível (mundo real, concreto) e um mundo inteligível (mundo das idéias), o primeiro vive à sombra do segundo, e o mundo inteligível pode ser (re)interpretado como sendo o Paraíso Cristão, no qual existe uma beleza absoluta, um grande gerador e gerenciador do mundo, aquilo que se tornou a grande busca cristã: Deus.

Sendo Deus o paraíso bíblico e a beleza absoluta, segundo Platão, a única maneira de chegar a este destino divino é por meio do amor. Este é o grande preceito das líricas camonianas. Porém, as idéias platonistas tratam de um amor celeste, puro, não carnal, vulgar, pois o amor carnal remete ao pecado, ao contrário do amor celeste que conduz os homens ao bem. O erotismo existia, mas era tratado o mais discretamente possível, por conta da severidade cristã.

Apesar das influências neoplatônicas renascentistas, é fácil observar nas líricas de Camões três idéias que o aproxima das filosofias de Platão:

O amor, quando idealizado, eleva o espírito ao ponto de proporcioná-lo a contemplação de uma realidade extraterrena;

Esse amor como o grande orientador do espírito, deve ser usado para o bem para que assim, a realidade inteligível possa ser iluminada;

O amor ou a contemplação platônica da mulher amada, que é o reflexo da beleza divina, enobrece a alma e nela executa a imagem incorporal.

Nos mais conhecidos sonetos camonianos a temática amorosa é a mais recorrente. Apesar de se entregar ao amor terreno, o eu lírico camoniano, reconhece que não é esse o amor que deve almejar, e sim, o amor divino. Esse conflito entre o pensamento divino e o corpo terreno é constante.

Apesar das raízes platonianas serem muito fortes na lírica de Camões, ele, muitas vezes, segue os preceitos de Sócrates quando demonstra a gradual transformação do amor de um campo físico a um campo mais elevado da alma, transformando o amor material em amor espiritual por meio da intervenção divina, muito presente em seus versos.

A natureza contraditória do amor que vagueia entre o amar e o querer, o sentir e opensar, sofrimento que o amor carnal causa aos amantes e apaixonados, é visivelmente observada no célebre soneto de Camões "Amor é um fogo que arde sem se ver", onde é notável a percepção do autor sobre o aspecto experimental do amor, que ao tentar analisar racionalmente um sentimento imensurável, vago, acaba tornado-o paradoxal.

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é mesmo o amor?

Luís de Camões

O soneto é composto de 14 versos decassílabos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos apresentando em sua estrutura, enunciados antitéticos. Observa-se que o soneto começa e termina com a mesma palavra: amor, recurso estilístico que ressalta o caráter contraditório da temática.

As oposições simétricas dos versos acumulam-se de forma gradativa desembocando na interrogação acerca dos efeitos do amor. Ao mesmo tempo em que o amor é dito e quisto como algo "palpável", concreto no sentido de sua existência, imediatamente o segundo membro dos versos funcionam como complemento do primeiro de maneira a confrontar as realidades: uma sensível e outra espiritual que sempre transcende a primeira (ferida que dói e não se sente).

Podemos encontrar as mesmas características em sua grande Epopéia Os Lusíadas, mais especificamente na simbologia encontrada no canto X, o Episódio da Ilha dos Amores, que possui a mesma temática do soneto acima citado. Neste episódio, podemos considerar que é o amor que conduz os portugueses à imortalidade. Um amor que vai além dos prazeres da carne, uma amor à pátria, ao dever coletivo, a capacidade de superação. É sem dúvida, esse amor divino, puro, que conduz a embarcação de Vasco da Gama ao paraíso dos sentidos, representado pela Ilha.

Dentre todas as características simbólicas encontradas no episódio da Ilha dos Amores, serão destacadas aqui, as que possuem alguma relação com o soneto já citado.

Após passar por todas as dificuldades enfrentadas para encontrar o caminho das Índias, Vênus decide recompensar a tripulação de Vasco da Gama ofertando-lhes uma ilha paradisíaca habitada pelas mais belas ninfas. A ilha, composta de uma flora maravilhosa, é um presente aos cinco sentidos perceptíveis pelos seres humanos, também encontrados nos dois primeiros versos do soneto analisado (Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente): paladar, tato, audição, visão e olfato.

A premiação dos heróis lusitanos é o alcance do mesmo paraíso observado no soneto, um estado de espírito que só pode ser alcançado através do amor, neste momento, recolocado com o grande centro do mundo e que, apesar de haver uma entrega aos prazeres carnais, esse prazer é fruto de um amor puro. O amor aqui apresentado unifica os homens e os deuses, transformando-os em criaturas humanas e divinas ao mesmo tempo. Em outras palavras, é o amor concreto, realizado, mas que não exclui, mas ultrapassa os modelos petrarquistas acerca do amor cristão.

Percebemos também, assim como no soneto, algumas características Humanistas, como por exemplo, a utopia de conceber por meio da conciliação do amor físico e do amor carnal, o encontro do homem e da natureza, a realização, harmoniosa e ilimitada dos desejos sem descarregados de culpa, inocentes.

Outras características poderiam ser aqui enumeradas, pois o Episódio das Ilhas dos Amores, por se tratar de uma narrativa alegórica, está carregado de significações que retratam o poeta lusitano além de suas características líricas, retrata o desejo provocador propositalmente abordado neste canto como um convite às reflexões sobre a liberdade como construção da felicidade.